Moral católica e combate à Aids

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Infanticídio indígena: a tragédia silenciada

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sexta-feira, 15 de agosto de 2008

A glória da Assunção

A festa da Assunção de Nossa Senhora, que se comemora no dia 15 deste mês, é a celebração do triunfo da Mãe de Deus

Plinio Corrêa de Oliveira

“Os antigos, quando falavam da festa da Assunção, diziam que era a festividade de Nossa Senhora da Glória. Eles entendiam bem que a Assunção não é apenas o fato físico de Nossa Senhora sair desta Terra –– tendo sido ressuscitada por virtude de seu Divino Filho –– e ir para o Céu. Mas é a glorificação da Mãe de Deus.

Depois de ter passado por toda espécie de sofrimentos, angústias, dilacerações e humilhações, Ela é glorificada por Nosso Senhor aos olhos dos homens, por meio da Assunção. Privilégio único na História, pelo qual uma mera criatura é levada em corpo e alma pelos anjos ao Céu.

Ela, que possuía uma alma santíssima, uma dignidade, uma majestade, e ao mesmo tempo uma afabilidade inexprimíveis, naturalmente deixou que transparecesse nesse momento toda santidade em sua fisionomia.

Também nesse momento transpareceu uma efusão de ternura, de misericórdia e de bondade suprema d´Ela, como manifestam todas as mães que se despedem dos filhos. Com a segurança para todos de que Ela, não estando mais presente na Terra, começava sua grande missão do alto do Céu.

Depois da Assunção, sua glória se manifestou cada vez mais. Como bem observa São Luís Grignion de Montfort, não existe uma igreja na Terra onde não haja um altar dedicado a Nossa Senhora, exceção feita hoje a certas igrejas modernosas, que quase não são mais igrejas; não há uma alma que se tenha salvo, sem ter sido devota de Nossa Senhora; não há uma graça que os homens tenham recebido, que não foi obtida por Ela.

Assim, sua glória vai crescendo até o fim dos séculos, com o dia do Juízo Final. Todos os homens serão julgados; portanto, Ela também. Mas, como Ela não está sujeita a nenhuma dívida, não cometeu nenhuma falta, no Juízo Final haverá uma suprema glorificação da Santa Mãe de Deus”.

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(Excertos de conferência de Plinio Corrêa de Oliveira, pronunciada em 13-8-1965)

(Fonte: Revista Catolicismo, Agosto, 2008)

sábado, 5 de abril de 2008

Ruanda: país africano vítima do igualitarismo revolucionário

O legítimo rei dessa nação, Kigeli V, exilado nos Estados Unidos, descreve a dramática situação de sua pátria dividida entre duas etnias: os tutsis e os hutus.

A milenar monarquia de Ruanda foi mantida pelos belgas durante o período colonial.

O presente monarca, Jean-Baptiste Ndahindurwa, rei Kigeli V, subiu ao trono quando do falecimento de seu irmão, rei Mutara, em 1959.

Em 1940, seu pai, rei Musinga, foi exilado pelos belgas, com toda a família. Jean-Baptiste Ndahindurwa voltou para Ruanda para completar seus estudos (1944 – 1951) e, depois, para trabalhar com a administração belga (1956 – 1959).

Dois anos após sua ascensão ao trono, ele foi impedido pelo governo belga de voltar a seu país, depois de uma visita ao Congo belga para encontrar-se com o Secretário-Geral das Nações Unidas. Essa ação arbitrária foi motivada pelo desejo da Bélgica de suprimir a monarquia tradicional antes de conceder independência a Ruanda, em 1962. Cedendo aos falsos princípios da Revolução Francesa, a monarquia belga destruiu o equilíbrio existente entre tutsis e hutus, criando as condições para os contínuos conflitos entre esses dois grupos, após a independência. O rei, com efeito, é tutsi, mas também descende de hutus.

Se bem que os tutsis e os hutus sejam considerados dois grupos étnicos separados, os entendidos assinalam a realidade de que falam a mesma língua, têm uma tradição de inter-casamentos e compartilham muitas características culturais. Tradicionalmente, as diferenças entre os dois grupos eram mais ocupacionais do que étnicas. Os agricultores eram considerados hutus, enquanto a elite, que se dedicava a criar gado, era identificada como tutsi. Supostamente uns são altos e magros, enquanto os outros são baixos e gordos; mas, na realidade, é difícil muitas vezes distinguir uns do outros.

Sua Majestade o rei Kigeli V tem vivido no exílio desde a independência de seu país. Católico fervoroso, o monarca apóia as atividades da Sociedade Americana de Defesa da Tradição, Família e Propriedade. Na região de Washington, onde reside, freqüenta a sede do Bureau da TFP.
Esta entrevista foi concedida a nosso correspondente C. Preston Noell III.

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Catolicismo — Qual era a situação da monarquia em Ruanda, quando V.M. subiu ao trono?
Rei Kigeli — Os chamados padres brancos foram os pioneiros do catolicismo em Ruanda. Meu pai estava no poder e era cristão, mas não praticava o catolicismo. Não gostava disso, mas não dificultava a atuação dos padres. É difícil fazer compreender a Religião católica nos países da África. Os filhos dele foram batizados pelos sacerdotes, e ele deu exemplo à população de Ruanda, que naquela época era de dois milhões de habitantes, e hoje são oito milhões. Então, todo mundo em Ruanda passou a ser cristão. A maioria agora é cristã. Os católicos, na época de meu pai, eram verdadeiramente praticantes, e é por isso que nós, os príncipes, desejando seguir o exemplo de nossos irmãos na fé, procuramos ser batizados e tornar-nos católicos. Quem me orientou para ser cristão, de fato, foi minha mãe. Parece que meu coração era tíbio. Uma vez, tendo ela me acordado para ir à missa às seis horas da manhã, disse-me que, em vez de ir de automóvel, iríamos a pé e descalços. Como eu perguntei o motivo disso, ela disse que Jesus Cristo também sofreu, e ela queria agir como Ele. Eu a acompanhei assim, cegamente, sem saber bem o que fazia. Fui à igreja e fiquei ao lado dela, diante da imagem da Santíssima Virgem. Depois fui brincar com outros jovens, e esqueci-me de que minha mãe se encontrava na igreja rezando. Como eu queria ir-me embora e a igreja se fechava, através da porta vi que minha mãe ainda estava lá orando. Assim, comecei a entender como é ser cristão e amar a Santíssima Virgem. Eu sou devoto da Santíssima Virgem. Tudo o que eu preciso, vou vê-La imediatamente e pedir-Lhe sem hesitar.

Catolicismo — Em Ruanda, quais foram as congregações católicas mais célebres?
Rei Kigeli — As congregações de padres e freiras brancos belgas, os jesuítas, os josefistas, os padres e freiras maristas.

Catolicismo — Como se deu a derrubada da monarquia?
Rei Kigeli — A Igreja Católica influenciava a política, sobretudo o Bispo Mons. Perodi, que favoreceu os hutus, tendo os tutsis sido postos de lado. Nesse momento, ele contribuiu para a queda da monarquia e para dar o poder a Kaiyabanda, presidente da República de Ruanda. Passou a existir conflito entre tutsis e hutus. Antes, nós havíamos tido mil anos de reinado em Ruanda, sem nenhum problema. A política desgostou os tutsis, que começaram a se dividir.

Catolicismo — E qual a atitude do governo belga?
Rei Kigeli — O governo geral belga, que governava Ruanda e Burundi, começou a favorecer os contrários aos tutsis, pois eles não gostavam destes. Havia problemas entre os tutsis e hutus favorecidos pelos belgas, que se utilizavam da Igreja Católica. Havia escolas católicas por toda Ruanda, financiadas pelos belgas. Foi isto que provocou todas as desavenças.

Catolicismo — Quais eram os problemas existentes entre os hutus e os tutsis?
Conflitos internos no país ocasionaram fugas em massa de ruandeses para nações vizinhas
Rei Kigeli — Não havia problema, mas naquela época os tutsis eram minoritários, e os hutus majoritários. E começaram a perguntar a razão pela qual o rei teria que ser tutsi: se é porque estes são superiores, etc. E diziam que os hutus poderiam também ter rei. Mas esqueceram-se de que a Bélgica tem um rei. Ora, se a Bélgica tem um monarca, por que destituir nosso rei e nos expor à experiência de uma república? Por que começar essa mudança em nossa casa? Quem quer indicar algo como exemplo, que siga o exemplo próprio. Concederam o governo de Ruanda a um coronel. Este comunicava que tinha por missão tirar os tutsis do poder e colocar os hutus.

Catolicismo — Qual a situação de Ruanda hoje?
Rei Kigeli — Neste momento, Ruanda não me parece bem — não está numa situação boa, porque realizaram eleições sob uma ditadura. Não há liberdade de expressão. Dizem que apreciam a democracia, mas se alguém aponta algo que não está bem, vai para a prisão. Há muita corrupção. O Banco Mundial e outras organizações dão dinheiro para a construção de estradas, casas, etc.

Catolicismo — Quais são suas esperanças em relação à pátria de V.M.?
Rei Kigeli — Ruanda precisa de uma verdadeira democracia. Há os que amam a monarquia e os outros que preferem a república. É necessário que se faça um referendo honesto, perguntando à população se deseja um rei ou uma república. Se fizerem isso, tudo bem. É necessário não forçar nada. Mas numa ditadura, e sem partidos políticos?...

Catolicismo — V.M. quer dirigir uma mensagem aos católicos brasileiros?
Rei Kigeli — É preciso que os católicos auxiliem Ruanda. E eu conto com as orações dos católicos brasileiros nesse sentido.

Fonte: Revista Catolicismo

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