Moral católica e combate à Aids

Nas últimas semanas, a mídia deu grande destaque a repercussões das palavras de Bento XVI, em seu livro-entrevista Luz do Mundo, sobre o uso de preservativos em determinadas circunstâncias.

Infanticídio indígena: a tragédia silenciada

Você sabia que, em várias tribos indígenas no Brasil, crianças recém-nascidas são enterradas vivas, estranguladas, ou simplesmente deixadas na mata para morrer?

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Pandemia de gripe ou de pânico?

José Carlos Sepúlveda da Fonseca

Fonte: Blog Radar da Mídia

Em meio às incertezas da crise econômica mundial, à instabilidade política no Oriente Médio, aos assaltos a embarcações de piratas na Somália, às reviravoltas da política externa do governo Obama, à farra das passagens aéreas no Congresso, surgiu de repente no panorama um fato inteiramente novo e ameaçador.

Jornais, rádios e televisões anunciaram a irrupção no México de um inesperado surto de gripe, causada por misterioso vírus.

Do surto de gripe à pandemia

As primeiras informações davam conta de largas dezenas de mortos, vítimas da gripe batizada de suína.

Com a rapidez de um rastilho, a notícia se espalhou, a par do que se dizia ser a igualmente rápida disseminação do vírus. Multiplicavam-se as imagens de mexicanos usando máscaras em casa, na rua, no trabalho. Anunciava-se a paralisação do país.

Em outros lugares do mundo começaram a pipocar as mesmas cenas de pessoas portando máscaras, anúncio de casos detectados da misteriosa gripe, confinamento em quarentena de supostos portadores da doença, grandes quantidades de vacinas e remédios sendo estocadas.

Alertas pelo mundo. Noticiários ameaçadores. Declarações alarmistas de autoridades sanitárias internacionais.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmava que esta gripe seria capaz de atingir dois bilhões de pessoas.

Em pouco o tempo o mundo não estava mais perante um surto de gripe, mas diante de uma pandemia.

O clímax estava, de certa forma, atingido. Criara-se a sensação de estarmos diante de um perigo iminente e incontornável.

Contradições dentro do perigo

Mas quem parasse um pouco para fazer uma análise mais acurada dos acontecimentos, logo notava certa ou até grande defasagem do quadro traçado com a realidade.

Entramos, então, no que se poderia chamar uma segunda fase, a das informações e notícias desencontradas e até contraditórias: os desmentidos e os desmentidos dos desmentidos.

A sensação agora não era apenas do perigo iminente, mas de um caos dentro do perigo.

Afinal, das mortes anunciadas no México, apenas algumas podiam ser atribuídas com certeza à chamada gripe suína.

Outras notícias desinflavam a gravidade da infecção viral e a comparavam à de uma gripe comum.

O número aterrador da OMS era apenas o potencial da doença e o vice-diretor da entidade admitia que, mesmo numa pandemia, a maioria dos infectados não deveria ter mais do que uma gripe suave.

Muitos dos casos detectados em diversos países... não eram afinal da doença!

Até o próprio nome da grave infecção foi questionado. Ela não deveria chamar-se gripe suína. Alguns propugnavam que se denominasse gripe americana e, em muitos noticiários, passaram a referir-se apenas à contaminação pelo vírus A(H1N1).

E, como não podia deixar de acontecer, começaram a proliferar os gracejos e as piadas.

O binômio susto X desprevenção

A sensação passou a ser de uma gangorra psicológica.

Ora a desprevenção total, o ignorar completamente qualquer perigo; ora as medidas severíssimas, como não estender a mão, não aproximar-se mais de dois metros de alguém, as máscaras por toda a parte, etc., o que levou mexicanos a dizer que se sentiam infectados, mesmo não o estando.

O psicólogo mexicano José Mercado apontou com precisão o que ocorria com seu país, no momento em que se anunciava a volta à normalidade: estamos “saindo de uma situação de pânico, mas ao mesmo tempo nos mantêm com a idéia de que o inimigo continua aqui, que ele vai nos matar e que para evitá-lo temos de nos isolar, o que fomenta de novo o pânico, a loucura. Isso, em termos psicológicos, é nefasto” (cfr. O Estado de S. Paulo, 8.maio.2009)

Esse lado nefasto talvez explique as reações extremadas de alguns que, numa espécie de atração pelo abismo, passaram a organizar por Internet as “festas da gripe suína”, com o objetivo de se infectarem. A finalidade seria a de desenvolverem anticorpos.

Pânico moral oficial

Ao comentar com pessoas conhecidas e amigas o conjunto desta situação, pareceu-me toda ela eivada de grande irracionalidade, pela desproporção do alarmismo, pela imprecisão das informações, pela contradição dos dados, etc.

Segundo as notícias de ontem, 29 países reportaram casos, totalizando 4.500 infectados e até ao momento foram reportadas apenas 53 mortes provocadas pela gripe.

Subestimar um perigo é, por certo, um erro. Mas inflá-lo, ou ainda exagerá-lo desmesuradamente e levá-lo ao paroxismo – que alguns qualificaram de pânico moral - pode ser um erro ainda maior.

E, fato estranho, um pânico moral, não originado no boato anônimo e descontrolado, mas promovido por fontes oficiais de quem é de se esperar atitudes responsáveis.

O triunfo dos porcos

Em minhas buscas na mídia, deparei-me com um artigo, de autoria de João Pereira Coutinho (Folha de S. Paulo, 5.maio.2009), que sintetiza bem a situação criada e que convida à reflexão. Gostaria de compartilhá-lo com todos os que lêem o Radar da Mídia.

O título, O triunfo dos porcos, é um hábil jogo de termos, em referência à gripe suína de um lado, e à fábula de George Orwell, em que narra uma revolução entre os animais de uma fazenda, e a forma pela qual o idealismo foi traído pelo poder, pela corrupção e pela mentira.

João Pereira Coutinho começa o artigo referindo-se a seu estado de espírito à medida que o ano avança e não existe nenhum apocalipse pronto para exterminar a raça humana:
"Os meses passavam: janeiro, fevereiro, março. E as autoridades mundiais não lançavam gritos lancinantes sobre uma doença, uma anomalia técnica, um vírus descontrolado e mortal. Nem sequer um espirro!

"Sei do que falo. Vocês, leitores, também. Nos últimos dez, 15 anos, praticamente não tivemos sossego. (...)

"Antes mesmo do século 21 começar, os perigos estavam nas vacas e na carne delas. A doença tinha nome divertido ("doença da vaca louca") e conseqüências menos divertidas: uma doença neurológica degenerativa e incurável que prometia condenar meio milhão de seres humanos a uma morte precoce e terrível.

"Lembro-me bem: imagens de vacas trémulas, a dançar o twist; a matança de milhares delas, com ou sem sintomas; e os criadores de gado arruinados. Muitos optaram pelo suicídio. Pobrezinhos. Ainda hoje está por provar que a encefalopatia espongiforme bovina seja a causa da doença de Creutzfeldt-Jacob nos seres humanos.

"Veio o milênio. E, com o milênio, vieram novos perigos. Não de origem animal. Mas humana. Ou, se preferirem, tecnológica. Na virada de 1999 para 2000, um "bug" informático iria paralisar as cidades, os transportes, o sistema bancário e financeiro. Aviões cairiam do céu. Milhões de doentes não resistiriam à paragem das máquinas. Os países mais desenvolvidos gastaram US$ 300 bilhões de dólares (estimativa conservadora) para evitarem o colapso. Quando a meia-noite soou, o mundo, inexplicavelmente, continuou. Suspirou-se de alívio. Ou de desilusão?

"Os suspiros duraram pouco tempo. Se a humanidade resistira ao "bug" informático, não iria sobreviver à "gripe das aves". A Organização Mundial de Saúde garantia que 7 milhões de pessoas estavam condenadas. As Nações Unidas, não contentes com 7 milhões, falavam já em 150 milhões. Especialistas vários preferiam dizer 350 milhões. Moral da história?

"Morreram 200 pessoas, sobretudo na Ásia rural, onde a pobreza e a desnutrição não ajudam. Morreram incomparavelmente menos pessoas do que as vítimas normais que a gripe normal provoca todos os anos, em todos os países do mundo.

"Eis a verdade: andamos há muito tempo a fantasiar a nossa própria destruição coletiva. São as vacas. As aves. O "bug" informático. A pneumonia atípica. A catástrofe ecológica e climatérica que nos espera.

"Ou, para sermos mais atuais, uma gripe de origem suína e mexicana que, nas palavras de Margaret Chan, diretora-geral da Organização Mundial de Saúde, coloca toda a humanidade em risco. Que essa "gripe suína" esteja sobretudo confinada ao México, pouco importa. Que as vítimas do México sejam praticamente insignificantes quando comparadas com as vítimas regulares de gripe regular, também não. E que os infectados fora do México estejam a responder aos medicamentos disponíveis, muito menos. A realidade dos fatos não altera a nossa histeria.

"E não altera porque a nossa histeria é profunda e incurável. Hoje, vivemos mais. Hoje, vivemos melhor. Mas apesar disso, ou sobretudo por causa disso, entramos em pânico sempre que a morte, ou mesmo a mera possibilidade da morte, ameaça o nosso único deus: o corpo, o nosso corpo, e a "Religião da Saúde" que substituiu todas as outras teologias tradicionais.

"Tememos a nossa destruição física. Mas, como em qualquer temor, recriamos e até desejamos essa mesma destruição, como se isso redimisse a radical solidão dos homens de hoje. Tão modernos que somos. E tão entediados que nos sentimos.

"Um conselho: nada nesta vida se faz sem perseverança. Quem sabe? Se desejarmos muito que algo aconteça, talvez um dia alguém lá cima se lembre de responder às nossas preces. "
Afirmei que este artigo convidava à reflexão. Antes de terminar quero deixar aqui duas perguntas.

Diz o autor que "andamos há muito tempo a fantasiar a nossa própria destruição coletiva", para acrescentar depois que "a realidade dos fatos não altera a nossa histeria".

1) somos nós mesmos que fantasiamos, ou nos induzem a fantasiar nossa destruição coletiva, como no caso presente?

2) a realidade dos fatos não altera a "nossa histeria", ou não altera a histeria que nos querem impor?

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Canonização de Dom Nuno Álvares Santo, guerreiro e monge

Dom Nuno Álvares Pereira reuniu em si o conjunto de virtudes e predicados que fazem dele o arquétipo de qualquer cristão.

Frei Nuno de Santa Maria — seu nome religioso — é um personagem indivisível, e como tal deve ser visto.

Sobre este homem pousou, desde cedo, a mão da Providência. A sua vida foi uma sucessão contínua de prodígios e de lutas; e as suas ações, quer como condestável dos exércitos, quer como grande esmoler, foram aureoladas pela glória e humildade.

Corria o ano de 1360. Na festa de São João Batista, a 24 de junho, nasceu ele em Cernache do Bonjardim (140 quilômetros a norte de Lisboa), recebendo no Batismo o nome de Nuno. Descendia por ambos os lados da mais alta nobreza de Portugal.

Com tenra idade, como era hábito naquele tempo, foi viver entre cavaleiros e escudeiros. Os grandes feitos da cavalaria medieval povoavam os horizontes dos jovens da época. A Crônica do Condestável está repleta desses relatos.

Recebera em casa uma esmerada educação e sólida formação cristã. Ambas, aliadas à retidão de alma de Nuno, produziram efeitos duradouros que hoje nimbam a imagem do Condestável, cujo culto universal a Igreja Católica legitimará com a sua canonização.

Aos 13 anos acompanha o pai à Corte, que se achava em Santarém, uma vez que Henrique II de Castela invadira Portugal e marchava sobre Lisboa. Ele e o irmão Diogo recebem do Rei Dom Fernando de Portugal a ordem de colher informações sobre os invasores.

Desincumbem-se da tarefa com brilho. Dom Fernando toma Diogo para seu serviço, e Nuno, a quem foram dispensadas as cerimônias de praxe, é logo ali armado cavaleiro. Começa então a sua carreira de armas, e talvez seja esta a faceta mais incompreendida do Condestável para o homem contemporâneo, intoxicado que está pelos miasmas do pacifismo.

Nuno Álvares seguiu estritamente os princípios da cavalaria medieval — defender a fé, servir o rei e a honra das mulheres, estender a mão aos oprimidos. Fez sempre uso ponderado das armas, e nisso residia a razão da sua força. A procura da justiça era, para o santo Condestável, o fim último.

A crise que desembocará na batalha de Aljubarrota, na qual o gênio militar de Nuno Álvares resplandece, começa a emergir.

Entram em foco questões dinásticas delicadas, para além do fato de que, embora o Rei Dom Fernando tivesse obtido uma reconciliação de circunstância com o rei de Castela, contra quem guerreara, as desconfianças mútuas não se tinham dissipado e a situação ficara mal resolvida. Uma forte noção de identidade ia tomando conta de Portugal perante a ameaça castelhana, como se pode depreender dos escritos do cronista Fernão Lopes.

Paralelamente a esses acontecimentos emergira, em 1378, o tristemente célebre cisma do Ocidente. Em Portugal, o povo e o clero mantiveram-se fiéis ao Pontífice Romano, representante da legítima sucessão apostólica. Os castelhanos, no entanto, apoiaram o Papa de Avinhão, denominado “anti-papa”. Uma nova vertente, a religiosa, soma-se assim à crise. Na época, lutar contra os castelhanos torna-se a defesa do verdadeiro Papa contra os cismáticos.

Dom Nuno Álvares, pressentindo a ocupação próxima do trono de Portugal pelo rei de Castela, pôs-se a caminho de Lisboa acompanhado dos seus escudeiros. A morte em fins de 1383 do Conde Andeiro, amante de Dona Leonor Teles, precipita os acontecimentos.

Assume então o Mestre de Aviz, Dom João, Regedor e Defensor do Reino. Ao formar o seu Conselho de Governo, chama Nuno Álvares a tomar parte. Nas províncias, a insurreição vai ganhando terreno. Lisboa é cercada pelo rei de Castela. A sublevação estende-se a todo o Reino.

Dom João, Mestre de Aviz, envia o Condestável para defender as fronteiras no Alentejo. Com apenas 24 anos, derrota os invasores na batalha de Atoleiros, a 6 de abril de 1384. Ali agradece a Deus e à Santíssima Virgem por ajudarem no estabelecimento da justiça, “porque todo o vencimento é em Deus, e não nos homens”.

Em setembro de 1384 é levantado o cerco de Lisboa. Em Coimbra, as Cortes reúnem-se em abril-maio de 1385 para pôr cobro à questão dinástica. Dom João I é aclamado rei por unanimidade. Nuno Álvares é nomeado Condestável, chefe supremo do exército português. Contudo, o mais difícil ainda não chegara. O exército castelhano, agora bem apetrechado de homens e armas, vem tomar desforra.

Era domingo, 13 de agosto de 1385. O Condestável faz o reconhecimento do terreno, perto de Aljubarrota (20 quilômetros a sul da cidade de Leiria), ouve missa e comunga, depois retira-se em oração.

A batalha dá-se na véspera da festa da Assunção de Nossa Senhora, dia 14. Segundo os cronistas, do lado português estão, juntamente com os arqueiros ingleses, 7.700 homens; do lado castelhano são mais de 30.000. Ainda de acordo com os cronistas, mal despontara a aurora, iniciam-se os combates da batalha de Aljubarrota, que foi fulminante, tendo o exército castelhano deixado o solo juncado de mortos e feridos.


O Condestável respeitou as regras da cavalaria e permaneceu três dias à espera do exército invasor. Decorreram 26 anos até a assinatura do tratado de paz, em 1411. Ainda no rescaldo de Aljubarrota, travou-se a batalha de Valverde, nas proximidades de Mérida, em outubro de 1385, onde os castelhanos sofreram nova derrota.

Como penhor de gratidão pela vitória em Aljubarrota, Dom João I e o Condestável mandam construir um mosteiro em honra de Santa Maria da Vitória, mais conhecido como Mosteiro da Batalha, preciosa jóia da arquitetura gótica flamejante e um dos mais belos complexos monacais da Europa. .

Tendo entrado cedo na carreira das armas, logo após, aos 16 anos, Nuno Álvares contrai núpcias com Dona Leonor Alvim. Desse casamento, interrompido prematuramente pela morte da mulher, nasceu Dona Beatriz, que se casou com o 1º Duque de Bragança, filho bastardo de Dom João I. Pelo grande dote que deu à filha para o enlace matrimonial, é considerado o fundador da Sereníssima Casa de Bragança, cujos reis reinaram em Portugal de 1640 a 1910; e no Brasil independente, de 1822 a 1889.

A faceta de chefe militar do Condestável vai chegar até África, onde desembarca com os exércitos do rei na decisiva tomada de Ceuta, em 1415.

Entre os períodos de paz que se seguiram, Nuno Álvares dedica-se à edificação e restauro de igrejas e capelas por todo o Reino. Fidalgo de muitos haveres, vai distribuindo pelos seus próximos e pelos pobres os bens que acumulara nesta Terra.

Na sua longa vida de soldado, jamais permitiu que os seus comandados ofendessem ou profanassem templos cristãos, ultrajassem os sacramentos ou pilhassem os bens da Igreja. A sua retidão, em matéria muito sensível, era tão direita quanto o fio duma espada.

No entanto, sobre esta alma de eleição parecia ecoar a voz do Salmista (60, 2-3): “Escutai, ó Deus, o meu clamor, atendei a minha oração. […] Dos confins da Terra grito por Vós, com o meu coração desfalecido”. Consciente de que esta vida não é senão uma preparação para a outra, que é a das bem-aventuranças eternas, Nuno Álvares vai recolher-se no convento do Carmo, em 1423.

A procura da transcendência e do Absoluto, que é o nosso Deus Uno e Trino, encherá a sua alma sedenta até o último suspiro. Professará como irmão carmelita e se tornará o paladino da autêntica caridade cristã, distribuindo esmolas e ajudando os mais necessitados.

Em 1431, com 71 anos incompletos, entrega a sua alma ao Redentor. Na igreja do Carmo, sobre a campa rasa, lia-se em latim: “Aqui repousa aquele Nuno, Condestável, fundador da Casa de Bragança, chefe militar exímio, depois monge bem-aventurado, o qual, sendo vivo, desejou tanto o Reino do Céu que mereceu, depois da morte, viver eternamente na companhia dos santos; pois, de seguida a numerosas recompensas, desprezou as pompas e, fazendo-se humilde, de príncipe que era, fundou, ornou e dotou este templo”.

Depois de muitos percalços históricos, sobretudo devido ao terremoto de 1755, que devastou Lisboa e a igreja do Carmo, os seus restos mortais repousam, desde 1951, na igreja do Santo Condestável na capital portuguesa.

Nuno Álvares Pereira, santo Condestável, Frei Nuno de Santa Maria –– três nomes, três facetas de um só homem.

Beatificado por Bento XV em janeiro de 1918, será canonizado por Bento XVI em 26 de abril de 2009. Para a Ordem Carmelita, é mais uma estrela que brilhará na constelação dos santos que honram os seus altares.

(Fonte: José Narciso Barbosa Soares; "Catolicismo", abril de 2009)

quarta-feira, 15 de abril de 2009

O golpe da Páscoa

José Carlos Sepúlveda da Fonseca

O período da Semana Santa tornou-se uma ocasião propícia para um golpe nada santo do governo: a intervenção no Banco do Brasil.

O Presidente Lula decidiu demitir o presidente do banco, Antônio Francisco de Lima Neto. A confusão – proposital e bem ao estilo do lulo-petismo – se estabeleceu.

Lula começou por afirmar que era Lima Neto quem desejava sair do cargo. Depois, a saída já era por outro motivo, a determinação do governo de reduzir o spread bancário, uma “obsessão” de Lula. A intervenção, na verdade, mascarava um golpe de mão político.

Banco do Brasil ou de Lula?

O mercado, apanhado de supresa pela decisão, reagiu em pouquíssimo tempo ao perceber o carácter político do golpe. As acções do Banco caíram mais de 8%.

A imprensa também apontou a intervenção estatal despropositada: “O Banco é do Brasil ou de Lula?”, perguntava a revista Época; “BB do PT”, intitulava seu editorial a Folha de S. Paulo; “Ingerência política volta a assustar” afirmava artigo de opinião do jornal Valor.

“Apesar de todas as justificativas dadas pelo governo para essa troca de presidente, ela aumenta a preocupação de possíveis interferências políticas sobre a gestão do banco”, disse o analista da Itaú Corretora, Alcir Freitas, conforme o jornal Valor (9 a 12.04.2009).

Ainda segundo o mesmo jornal, para Laura Lyra Schuch, analista de ações da corretora Ativa, a preocupação é de que o novo presidente do banco se torne uma “marionete” do governo em ações que possam comprometer a rentabilidade do banco.

A falácia do banco público

Dilma Roussef, em sua contínua atuação de candidata, ajudou ao coro de vitimização demagógica, já iniciado por Lula, de um governo que se diz sacrificar em “defesa dos pobres”. Apelando à emotividade afirmou: “Não aguentamos mais discutir com presidentes de bancos públicos, porque eles pensam que são presidentes de bancos privados”.

A afirmação encerra uma falácia. O Banco do Brasil não é um banco público, mas uma companhia aberta, com ações em bolsa e com milhares de acionistas minoritários.

Foi por tal motivo que a analista econômica, Miriam Leitão, escreveu em seu blog: “Se o BB tem acionistas privados, ele tem de operar com as regras do mercado, buscando o lucro e competindo com outros bancos. Se ele vai ser administrado pelo presidente da República ou pelo chefe da Casa Civil, então não pode ter ações no mercado. Uma coisa ou outra” (cfr. Época, 13.abr.2009).

Expurgo estatista

Ninguém, evidentemente, acredita nas razões dadas pelo governo. A interferência tem um claro cunho político, ideológico e estatista.

Dirigir o BB é uma arma de poder e Lima Neto não atendia aos desígnios petistas. Segundo a revista Época, citando fontes importantes, Ricardo Berzoini, presidente do PT, vinha lutando para derrubar Lima Neto.

De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo (9.abr.2009), nos círculos presidenciais, Lima Neto era considerado conservador, um homem que agia com o “freio de mão puxado”, “pouco ousado”, “muito fechado” e sempre “criava obstáculos” à concessão de crédito para as camadas de baixa renda.

Traduzindo em miúdos: Lima Neto agia com o “freio de mão puxado” porque não permitia que o BB se tornasse uma máquina de esbanjamento em favor de políticas “sociais”, que redundam em compra de votos.

Em seu editorial (10.abr.2009), o jornal Folha de S. Paulo observou sobre o aparelhamento do BB: “O PT foi convocado para mais uma missão patriótica... A nova anedota palaciana, disseminada na praça para tentar justificar a troca de comando no BB, não combina com alguns fatos. (...) Aumentar a tutela do governo e do PT sobre a direção do Banco do Brasil não vai resolver esse problema [ação antirecessiva], resolverá outros, decerto, atinentes às eleições que se aproximam. (...) Aventuras nessa seara redundam em contas bilionárias, divididas entre os contribuintes”.

É bom recordar que, em 1996, o BB precisou ser resgatado com a injeção de R$ 8 bilhões de nossos impostos, pois afundara devido a empréstimos ditados preponderantemente por critérios políticos.

Subordinação do BB a objetivos ideológicos

Em sua Notas & Informações, intitulada A politização do Banco do Brasil, o jornal O Estado de S. Paulo (10.abr.2009) aponta o viés ideológico e eleitoreiro da intervenção presidencial:

“É um péssimo sinal a interferência direta e explícita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na gestão do Banco do Brasil (BB), especialmente quando a cúpula do governo se empenha de forma indisfarçável na campanha para a próxima eleição presidencial. (...)

Politizar a condução do BB já o levou à beira de uma crise gravíssima, nos anos 90, e a operação de salvamento, com injeção de R$ 8 bilhões em seu capital, ainda é lembrada por todo brasileiro informado.

A subordinação aos objetivos políticos do governo também já custou caro à Petrobrás, forçada pelo presidente, no início do primeiro mandato, a recorrer a estaleiros nacionais para a compra de plataformas, navios-sonda e outros equipamentos. O resultado dessa mudança foi muito menos que satisfatório e isso não é segredo, embora a diretoria da Petrobrás evite referir-se ao problema. Também não deu certo, até agora, a associação com a PDVSA - estimulada pelo Palácio do Planalto - para a construção de uma refinaria em Pernambuco.

O presidente Lula e seus auxiliares insistem, no entanto, em sujeitar o aparelho de Estado - administração direta, autarquias e empresas - a objetivos de política partidária ou a caprichos ideológicos, sem dar importância a exigências técnicas. (...)

A ação do presidente Lula despertou receios muito justificados de uma crescente politização, a partir de agora, da gestão das companhias estatais.
Entendem agora o que Lula quer dizer quando apregoa a necessidade do “Estado forte” como resposta à crise? Nada mais do que o Estado tutor da economia, e a máquina estatal aparelhada pelo partido a favor de um projeto de poder político-ideológico.

Para os eternos otimistas de plantão, está aí o exemplo da mão de ferro político-ideológica de Lula no BB. É bom acordar!

sexta-feira, 27 de março de 2009

Campanhas a favor do preservativo só desinformam sobre o AIDS, advertem

BUENOS AIRES, 24 Mar. 09 / 10:25 am (ACI).- O Consórcio de Médicos Católicos de Buenos Aires, aderiu-se às palavras do Papa Bento XVI sobre a epidemia do HIV-AIDS e indicou que as campanhas a favor do uso do preservativo "induzem a engano" porque "ocultam informação e não colabora à prevenção".

Através de um comunicado, o consórcio advertiu que as campanhas de saúde

"apoiadas na distribuição de preservativos para evitar o AIDS", contribuem mas bem "a uma maior difusão das condutas de risco, já que implicam que as autoridades sanitárias estão dando sua aprovação às condutas e estilos de vida que são responsáveis pela epidemia".

Por isso, o texto lamentou "os dizeres de algumas autoridades de saúde que consideram 'perigosas' as declarações do Papa Bento XVI. Pareceria que quer impor totalitariamente um pensamento único, politicamente correto, desdenhando os dados que a ciência nos proporciona".

Nesse sentido, os médicos católicos lembraram que a mesma Organização Mundial da Saúde, em um estudo de 2000 afirmou que o preservativo tem uma taxa de falha de 14 por cento.

"Ao mesmo tempo -acrescentou-, a Internacional Planned Parenthood Federation (IPPF), uma das promotoras das campanhas chamadas de sexo seguro, situa a taxa de falha no 30%, e a esta se deve acrescentar que 'o risco de contrair AIDS durante o chamado 'sexo protegido' se aproxima a 100% na medida que o número de relações sexuais se incrementa'".

Do mesmo modo, advertiu que "devido à promiscuidade sexual que alentam as campanhas chamadas de 'sexo seguro', tornaram a aparecer enfermidades de transmissão sexual que se acreditavam quase extintas".

Por isso, os médicos católicos respaldaram as palavras de Bento XVI de que a solução à epidemia do AIDS passa por humanizar a sexualidade, "uma renovação espiritual e humana que tenha aparelhada uma forma nova de comportar-se".

Finalmente, chamaram "os médicos, educadores, pais de família e às autoridades públicas para que entre todos voltemos a valorar a ordem natural, sem concessões ao 'mal menor', vivendo e difundindo um
comportamento realmente humano apoiado no exercício das virtudes da moderação, a castidade e a continência".

Fonte:
http://www.acidigital.com/noticia.php?id=15587

quarta-feira, 25 de março de 2009

A sucuri pode comer o boi. .. ... mas depois não anda

A absurda demarcação da reserva indígena Raposa/Serra do Sol foi confirmada pelo STF com exceção do voto contrário do ministro Marco Aurélio de Mello.

Com o título SÓ UM JUSTO, a socióloga Maria Lucia Victor Barbosa assim definiu o acontecimento: “O julgamento pelo STF (...) culminou naquilo que já se esperava: a continuidade da área de 1,7 milhão de hectares ou 12 vezes o tamanho da cidade de São Paulo. Isso significa que essa parte do território nacional (...) pertence agora a uma “nação indígena” e nela não poderão viver ou sequer pisar os chamados “não índios” (termo politicamente correto), como se todos nós, brancos, negros, pardos não fôssemos brasileiros”.

“Segundo o ministro Carlos Ayres Britto, os arrozeiros devem ser expulsos imediatamente da reserva, como se bandidos fossem. Note-se que os “não índios” que compõem 1,5% dos habitantes do local, produzem 70% do arroz de Roraima ou 106 mil toneladas das 11.04 milhões que são produzidas em todo Brasil”.

“Só um justo, o ministro Marco Aurélio de Mello, votou contra a abstrusa demarcação. O ministro foi, além de justo, corajoso, coerente, clarividente, lúcido. Mas, só um justo, não salva o Brasil. (...) Aos índios foi dado o direito de voltar ao atraso primitivo, de se aliar aos que vindo de fora quiserem se estabelecer nas terras de ninguém, ou seja, dos 18 mil índios, gatos pingados naquele ermo sem defesa".

"Que venham os companheiros das Farc, os cobiçosos estrangeiros, os madeireiros, os predadores de todo o tipo que devastam a natureza e levam a riqueza que o País estupidamente não sabe usar. Ninguém vai tomar conhecimento.”

Em seu voto de 120 páginas, o ministro apontou inúmeros vícios no procedimento administrativo para definir a área. Por exemplo, não poderia desconsiderar os títulos de propriedade reconhecidos como de “bom valor pelo Estado”. E foi além, ao considerar as limitações à liberdade de ir e vir de brasileiros na área, qualificando-as de um “verdadeiro apartheid” que sequer interessa aos índios já num adiantado aculturamento.

Ele alegou que o Brasil poderá até ser levado a responder perante entidades internacionais se deixar de reconhecer a legalidade de títulos de terras determinadas por meio de processo judicial transitado em julgado. “Cumpre asseverar ser direito humano a proteção da propriedade privada.”

Marco Aurélio de Mello afirmou: "Vale registrar que, em 1987, o professor Plinio Corrêa de Oliveira, autor de “Tribalismo Indígena”, diante dos trabalhos de elaboração da Carta de 1988, advertiu: O Projeto de Constituição, a adotar-se em uma concepção tão hipertrofiada dos direitos dos índios, abre caminho a que se venha a reconhecer aos vários agrupamentos indígenas uma como que soberania diminutae rationis. Uma autodeterminação, segundo a expressão consagrada." (Plinio Correa de Oliveira, Projeto de Constituição angustia o País, Editora Vera Cruz, São Paulo, 1987, página 182 e página 119 da obra citada).

"Proféticas palavras tendo em conta, até mesmo, o fato de o Brasil, em setembro de 2007, haver concorrido, no âmbito da Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas, para a aprovação da Declaração Universal dos Direitos dos Indígenas”, ressaltou Marco Aurélio.

Quem assistiu à sessão do STF saiu perplexo e imaginando como pôde aquela Corte se voltar contra a Nação e o povo brasileiro. A Câmara e o Senado formaram Comissões Especiais, analisaram essa demarcação e concluíram pela sua condenação.

Por outro lado, a população indígena se manifestou em sua maioria contrária à demarcação, e, por isso não foram consultadas. Prevaleceu a opinião do Conselho Indigenista de Roraima (CIR) ligado e financiado por ONGs e esquerda católica.

Igualmente, as Forças Armadas rejeitaram essa política indigenista, com destaque das declarações do General Augusto Heleno, Comandante da Amazônia, que as classificou de “caóticas”.

Nada disso demoveu o governo Lula de sua inflexibilidade. Ele não cedeu sequer os 5% da área pertencente aos produtores com posse centenária. Todos classificados pelo relator como míseros invasores.

E lá do Rio Grande do Sul, Percival Puggina brada:

“No norte do País, cidadãos brasileiros recebiam pela TV, viva voz e viva imagem, a notícia da expulsão imediata, emitida entre bocejos pelos senhores da Corte. Ao lixo os títulos de propriedade legítimos e os longos anos de árduo trabalho familiar nas terras que a União lhes vendeu. Ao lixo suas lavouras plantadas e seus rebanhos no pasto. Ponham-se na rua, todos, com suas famílias, moradias, máquinas e bens! A Corte decidiu e a Corte, visivelmente, está cansada. Isso é que é trabalho duro. Moleza é plantar arroz no trópico e discutir antropologia com padres que não evangelizam os índios e que desevangelizam os não-índios”.

O que resultará dessa fatídica decisão? Como ficarão essas famílias divididas? E os índios contrários à demarcação e de etnias diferentes reunidas nessa pequena Torre de Babel e entregues a sua própria sorte? E se amanhã vier a faltar arroz nas nossas mesas?

Diz a sabedoria do caboclo do nosso lendário Pantanal ao observar a natureza: “A sucuri pode comer o boi, mas depois não anda”.

(Fonte: http://gpsdoagronegocio.blogspot.com/)

quinta-feira, 19 de março de 2009

Processo de demarcação de Raposa Serra do Sol deve ser anulado, defende ministro Marco Aurélio

Supremo Tribunal Federal - Notícias

Em extenso voto (leia a íntegra), com mais de 100 páginas, o ministro Marco Aurélio apontou inúmeras ilegalidades que teriam viciado o processo administrativo que resultou na portaria e no decreto presidencial de demarcação da reserva indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima.

Para Marco Aurélio, a demarcação contínua da reserva, como estabelecida, é resultado de um processo “cujos elementos coligidos se mostram viciados”. “Sou favorável à demarcação correta. E esta somente poder ser a resultante de um devido processo legal”, afirmou.

Segundo ele, é um “paradoxo” considerar-se, para efeito de demarcação, a posse indígena reconhecida e preservada até a data da promulgação da Constituição de 1988 e, ao mesmo tempo, concluir-se pela demarcação contínua.

“Difícil é conceber o chamado fato indígena, a existência de cerca de 19 mil índios em toda a extensão geográfica da área demarcada – uma área doze vezes maior que o município de São Paulo, em que vivem cerca de 11 milhões de habitantes. Para mim o enfoque até aqui prevalecente soa desproporcional a discrepar, a mais não poder, da razoabilidade”, avaliou.

Sobre a suposta ofensa a tratados de direito humanos, caso a reserva venha a ser demarcada em ilhas, o ministro alegou não existir “um modelo demarcatório claramente definido, contínuo ou em ilhas”.
Para o ministro, é “imprópria a prevalência, a ferro e fogo, da óptica do resgate de dívida histórica, simplesmente histórica – e romântica, portanto, considerado o fato de o Brasil, em algum momento, haver sido habitado exclusivamente por índios”.

Apartheid

O ministro também teceu considerações sobre as limitações à liberdade de ir e vir de brasileiros na área da reserva, situação que, para ele, consistiria em um “verdadeiro apartheid”.

Marco Aurélio questionou como, em pleno século XXI, é possível se cogitar em isolar a população indígena. “O retrocesso é flagrante, não se coadunando com os interesses maiores de uma nacionalidade integrada.”

O fato de nem todas as comunidades indígenas existentes na área da reserva terem sido ouvidas no processo administrativo da demarcação também foi alvo de críticas dele.

Segundo o ministro, a necessidade de consulta de todas essas comunidades é “incontroversa”. Ele ponderou que “o estágio de aculturamento talvez tenha avançado de tal maneira que não mais interessa o total isolamento do povo indígena, de forma a viabilizar a vida como em tempos ancestrais”.

Outros vícios apontados no procedimento administrativo realizado para definir a extensão das terras indígenas foram as dúvidas quanto às razões de o laudo antropológico ter sido assinado por apenas um integrante do grupo técnico interdisciplinar e se todos os integrantes do grupo realmente tiveram ciência de que o integravam.

Títulos de propriedade

O ministro também ponderou que dados econômicos demonstram a importância da área para a economia de Roraima e a relevância da presença dos fazendeiros na região.

Ainda de acordo com ele, o processo de demarcação não poderia simplesmente desconsiderar situações devidamente constituídas, como títulos de propriedade reconhecidos como de “bom valor pelo Estado”. Marco Aurélio citou julgamento do STF que reconheceu existirem na região fazendeiros com títulos de propriedade de terras cadastradas pelo Incra.

Ele alegou que o Brasil poderá até ser levado a responder perante entidades internacionais se deixar de reconhecer a legalidade de títulos de terras determinadas por meio de processo judicial transitado em julgado. “Cumpre asseverar ser direito humano a proteção da propriedade privada.”

Fronteira

Outra ilegalidade apontada pelo ministro no processo administrativo de demarcação da reserva foi o fato de o Conselho de Defesa Nacional não ter se manifestado. Ele argumentou que a área de fronteira tem uma “importância fundamental” para a defesa do território brasileiro e, por isso, a participação do Conselho seria “imprescindível” diante da possibilidade de ocorrerem instabilidades na área da reserva, que se localiza em uma tríplice fronteira com a Guiana e a Venezuela.

Os ministros que já votaram entenderam que a decisão de não ouvir o Conselho não prejudicou o processo que resultou na demarcação. O ministro Marco Aurélio alega que “se o texto constitucional exige tal providência, esta deve ser respeitada em todas as ocasiões”.

Segundo ele, “[não se pode permitir] mácula no julgamento do Supremo, criando uma nuvem cinzenta sobre a não-observância do devido processo legal”.

Soberania nacional

Ao longo de seu voto, o ministro Marco Aurélio relacionou citações de chefes de Estado internacional defendendo a internacionalização da Amazônia e defendeu que o “pano de fundo” envolvido na demarcação da Raposa Serra do Sol é a soberania nacional, “a ser defendida passo a passo por todos aqueles que se digam compromissados com o Brasil de amanhã”.

Ele apontou como “preocupante haver tantos olhos internacionais direcionados à Amazônia” e citou autoridades, como o ministro da Justiça, Tarso Genro, segundo o qual organizações não-governamentais estimulariam índios a lutar pela divisão do território nacional.

Conclusão do voto

O ministro Marco Aurélio concluiu seu voto-vista pela nulidade da demarcação, fixando os seguintes parâmetros para uma nova ação administrativa demarcatória da área indígena:
a) audição de todas as comunidades indígenas existentes na área a ser demarcada;

b) audição de posseiros e titulares de domínio consideradas as terras envolvidas;

c) levantamento antropológico e topográfico para definir a posse indígena, tendo-se como termo inicial a data da promulgação da Constituição Federal, dele participando todos os integrantes do grupo interdisciplinar, que deverão subscrever o laudo a ser confeccionado;

d) em consequência da premissa constitucional de se levar em conta a posse indígena, a demarcação deverá se fazer sob tal ângulo, afastada a abrangência que resultou da primeira, ante a indefinição das áreas, ou seja, a forma contínua adotada, com participação do Estado de Roraima bem como dos municípios de Uiramutã, Pacaraima e Normandia no processo demarcatório.

e) audição do Conselho de Defesa Nacional quanto às áreas de fronteira.

RR/LF

Fonte: http://www.stf.jus.br/

domingo, 8 de março de 2009

Escândalo forjado para relançar o aborto no Brasil

Bastou que o arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho, relembrasse o que todos sabiam ‒ i. é, que as pessoas engajadas num aborto provocado ficam excomungadas segundo o Direito Canônico ‒ que começou uma gritaria concertada dos abortistas que fingem nada saberem da religião católica.

O caso se prestava para a demagogia abortista: uma menina de apenas 9 anos, concebeu de um padrasto que abusou dela.

O crime repugnante não suscitou indignações proporcionadas. A fim de contas, o abortismo, o “vale tudo”, o “proibido proibir”, o “inventem perversões sexuais novas” da Revolução de Maio de 68, formam uma coisa só.

O rasgar de vestiduras foi quando o arcebispo de Olinda relembrou o que todos os abortistas estão fartos de tripudiar: os que assassinam uma criança no ventre materno caem fora da Igreja, na mesma hora de praticar o ato infame.

“A lei de Deus está acima de qualquer lei humana. Então, quando uma lei humana, quer dizer, uma lei promulgada pelos legisladores humanos, é contrária à lei de Deus, essa lei humana não tem nenhum valor”, esclareceu o arcebispo de Recife.

Todas as pessoas que participaram do aborto, com exceção da mãe-criança, não pertencem mais à Igreja. “Para incorrer nessa penalidade eclesiástica, é preciso maioridade”, acrescentou D. Sobrinho.

A diretora do Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam), Fátima Maia, uma das excomungadas, bancou não ter arrependimento. Como se justificasse a violência de assassinar uma criancinha por nascer indefesa, ela alegou: “abomino a violência e teria feito tudo novamente”.

A incoerência ovante é de praxe nos sórdidos ambientes do aborto. O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, que acostuma destratar a religião, qualificou a excomunhão “lamentável”. É o ministro do Meio-Ambiente, Carlos Minc, se disse “revoltado”.

Por sua parte, o presidente Lula que conta com grandes apoios no clero progressista criticou o arcebispo de Olinda e Recife que defendeu a boa posição católica.

Em Vitória (ES), Lula argüiu que “a medicina está mais correta que a igreja”, informou a "Folha de S.Paulo". Como se o assassinato da criança inocente estivesse mais certo que a Igreja de Jesus Cristo e da sua moral de origem divino, e que espelha plenamente o Direito Natural.

O presidente que vinha de distribuir a esmo preservativos no sambódromo do Rio durante o Carnaval, ainda disse, segundo “O Estado de S.Paulo”: “Como cristão e católico, lamento profundamente que um bispo da Igreja Católica tenha um comportamento conservador como esse”. Se a moral da Igreja está errada por ser conservadora, qual é a moral que postula o presidente?

Por sua vez, o presidente da Comissão Pontifícia para a América Latina, cardeal Giovanni Battista Re, julgou “justa” a excomunhão dos médicos que praticaram dito aborto.

Toda a verdade sobre os fatos: o relatório abafado

A grande imprensa que abriu espaço para as vozes seudo-católicas, anti-católicas e anti-vida, entretanto, abafou relatório indispensável para se compreender bem o acontecido.

Ele foi lavrado pelo pároco de Alagoinha (PE) a cidade onde se deu o fato lutuoso, Pe. Edson Rodrigues (padreedson@hotmail.com). O documento pode ser lido na íntegra no site de apologética Veritatis Splendor.

Nele, o pároco narra que a avó da criança morta se opunha ao aborto da filha ‒ afirmava “ninguém tinha o direito de matar ninguém, só Deus”. Também a Conselheira Tutelar Maria José Gomes recusou assinar termo autorizando esse “crime abominável, vergonha para a humanidade” (S.S.Joao Paulo II, Rio de Janeiro, 04/10/97).

Dois dias depois, o sacerdote encontrou todo mudado no IMIP, Instituto Médico Infantil de Pernambuco.

Ele descreve uma série de fatos irregulares e um trabalho para fazer a cabeça da avó, analfabeta mas responsável legal.

Dom José Cardoso Sobrinho convocou, então, uma equipe de médicos, advogados, psicólogos, juristas e profissionais para estudar a legalidade ou não do acontecido. Na reunião estava presente o Sr. Antonio Figueiras, diretor do IMIP que, constatando o abuso das atitudes da assistente social ligou ao hospital e mandou que fosse suspensa toda e qualquer iniciativa que favorecesse o aborto.

Foi então a vez de uma ONG chamada Curumim, feminista pró-aborto, que acompanhada de dois técnicos da Secretaria de Saúde de Pernambuco, convenceram a mãe a assinar um pedido de transferência da criança para outro hospital, o CISAM, onde o aborto foi praticado. Nesse hospital, o pároco foi impedido de entrar em contato com a família .

O Pe. Edson está convencido se tratar de “ato de manipulação da consciência”.

O abortismo precisava forjar um caso assim para relançar as tentativas de impor a extensão das causais do aborto a um Brasil que não quer isso.

O governo petista precisava... A mídia sensacionalista também...

Coincidências demais...

É hora de rezarmos e nos prepararmos porque a ofensiva anti-vida vem apelando a recursos suspeitos e medularmente anti-católicos.

(Fonte: Blog Valores Inegociáveis)

Divulgue

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